Entrevista com Leandro Caldeira, CEO-Brasil da Gympass

Uma das mais inovadoras startups brasileiras, a Gympass oferece um aplicativo que, por meio de um sistema de assinatura, conecta pessoas a academias ou outros espaços de atividade física. É um serviço que empresas disponibilizam como um benefício para os seus funcionários. Em 2019, recebeu um aporte de 300 milhões de dólares e tornou-se o sexto unicórnio brasileiro. 

 

Leandro passou por Florianópolis para um evento no último ano. Foto Imagem e arte / Fabrício de Almeida.

 

Criada em 2012, a Gympass oferece, ao usuário, a possibilidade de marcar aulas e reservar horários em diversos espaços voltados para a prática de esportes e atividades físicas. Já tem parceira com mais de 20 mil academias e está disponível em 1600 cidades brasileiras. Além disso, também já está presente em outros 14 países e planeja uma expansão para a Ásia. 

 

A BIX Tecnologia teve a oportunidade de conversar com o CEO da Gympass no Brasil, Leandro Caldeira, durante uma passagem dele por Florianópolis. Conversamos sobre cultura empresarial, a importância de funcionários praticarem atividade física e como os dados podem melhorar o serviço oferecido.

 

Foto Imagem e arte / Fabrício de Almeida.

 

BIX TECNOLOGIA: Qual é a diferença entre negociar com o empresário brasileiro e com um empresário de fora?

 

LEANDRO CALDEIRA: Com base nas minhas experiências e no que escuto dos meus pares, varia muito. Bem lá no fundo, é muito semelhante, mas tem um aspecto cultural que, dependendo do país, vai ser mais direto ou indireto. Se o tema de atividade física já é mais maduro ou menos maduro no país. Nos Estados Unidos, a atividade física é um mercado super maduro. No México. o índice de penetração é super baixo. Eles têm um problema de obesidade, inclusive infantil, super elevado. Dados esses elementos, o jeito que você expõe a solução é diferente. Ou, no caso do Brasil, as empresas bancam o custo do sistema de saúde. Dependendo do país, não, porque a saúde pública já é muito boa e as empresas não investem nisso. Então, os argumentos que você usa pra fazer uma negociação são um pouquinho diferentes, mas, na prática, todo indivíduo deveria estar fazendo atividade física. 

 

BIX: Deve ser mais fácil entrar em empresa que tem uma cultura interna mais voltada pro bem-estar do funcionário ou não?

 

LEANDRO: As primeiras clientes que a gente teve foram consultorias, bancos, escritórios de advocacia, indústrias… Os segmentos que já investiam muito em bem-estar do funcionário. Depois, as empresas multinacionais com programas de bem-estar mais estruturados. Ao longo do tempo, percebemos que não é só um benefício pro funcionário – que, no limite, você pode dar salário ou outras coisas. A gente foi começando a correlacionar com os índices de absenteísmo, que é a falta ao trabalho. Imagina que o empregador de massa, um varejista, uma empresa de terceirização, tem um problema sério com faltas ao trabalho. A gente descobriu que a pessoa que faz atividade física, falta menos ao trabalho. Então, não é só benefício no sentido de você dar dinheiro indiretamente, mas uma solução para algo que vai melhorar o teu negócio. 

Outro índice que também é importante para empresas de cunho mais operacional é turnover, que é pedido de demissão, aquela pessoa que troca o emprego por um dinheirinho adicional muito baixo. A gente viu que as pessoas que estavam ativas fisicamente pelo benefício do Gympass, dada a percepção e entrega de valor, pedem menos demissão. A estabilidade de mão de obra nos grandes empregadores também é super importante. Imagina que uma varejista ou uma empresa de terceirização às vezes, chega a ter um turnover de cem por cento ao ano. Tem que contratar o equivalente ao tamanho da empresa inteira todo ano. Se você reduz isso em cinco pontos percentuais, já é muito dinheiro na veia.

 

Foto Imagem e arte / Fabrício de Almeida.

 

BIX: Certamente que a Gympass gera muitos dados. Como é que vocês os analisam e usam para melhorar o próprio serviço?

 

LEANDRO: Tem muito dado de fato. Tem toda a jornada do consumidor e o ciclo de conversão. Todos os pontos de contato dele com a nossa plataforma. Eu tô vendo que caminho ele está fazendo e aí que toda a teoria de otimização entra. Qual que é o botão que converte mais? Qual é a melhor cor? Por que o cara fez esse caminho aqui, pesquisou uma academia e não comprou o plano? Ao longo do tempo, isso alimenta tanto o produto quanto o pessoal de marketing para conseguir ser relevante para cada indivíduo e não para a média. E é um processo constante de melhoria da experiência não só para o usuário, mas também para o RH da empresa e o dono da academia. 

 

O Leandro veio para participar do Startup Summit 2019, evento que a BIX fez uma cobertura especial!

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